Poíesis Poisé Poesia Do outro lado da Bahia tem Tom Zé inquieto & mortal Gilberto Gil meu candidato a presidente do Brasil Caetano e Neto um etano e quato cada qual Caetortano ou tal que Tortanoneto. Poíesis, sim. Agora xinga meu filho (e por falar de baianos)
xinga em três sílabas xinga já, vai, desabafa! Cã nalha!!! Can-alha!!! Can Nalha!!! Cannalha!!! Luiz Paulo Cannalha Não é canalha de vil, reles, velhaco, indecente. É Cannalha! É Cannalha com dois enes, minha gente!!! É sobrenomme viril!!! Poisé. Deixa pra lá, vem, vam'bora Peleja mais que me valha Velhice que me amarfanha Viçosa que me desfolha Folhagem que me reveste Descrença que me empurrasse Mas não vou dar milho a vice. Ora, cada passo e cada hora seria melhor ainda se não fossem os cã-nalhas os can-alhas os can nalhas os cannalhas a canalha azucrinar a gente! Pois ali mesmo na Serra do Cipó o bem e o bom do belo povo do Açude sob as bençãos dos antigos se preparam celebrantes o braseiro da fogueira pra afinação dos tambus a cachacinha no traço caldo e bolo condizentes pra no fim se alimentar canto de fé e de repente na imensa noite dos tempos sob estrelas e luar o candombe tá de pé no pé na mão nos tambus em honra subida e glória da Senhora do Rosário. Poesia. Não fora a vida virada nessa corrida sem tino nesse vasto bestiário sem razão, crença, destino a gente bem que podia cantar nas noites de lua celebrar tardes fluentes orar nas manhãs de frio tamborejar nos encontros festivos à beira-rio sem pressa ou consumição. Podia, não!!! A gente pode, sim! Segura o pé, que eu já vou!
Escrito por Luiz Paulo Santana às 19h12
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