Poíesis.Poisé.Poesia


Eu não fiz um poema

Eu não fiz um poema no dia de hoje

no cruzar este sol o céu em fora

veio a tarde encharcada de vermelho

fez-se a noite e ventou e já é hora

eis que faço o poema nesse espelho

nesse justo momento aqui e agora.

 

Eu não fiz um poema

porque não me coube

fazer um poema

no dia de hoje.

 

Faço agora o que chamo de Poema

por elipses e eclipses insondáveis

organizo em princípio véus e linhas

quando a lua lá fora já sobeja

e a janela fechada se ilumina:

destas luzes não sei qual mais acesa.

 

Mês inteiro de agosto já termina

na folhinha parada à minha frente

gozarei em setembro se puder

se encontrar no caminho uma mulher

que queira desfazer-se de contente

desfazer-se de amor e arrebatar-se

ao solar das manhãs e impunemente.

 

No poema desliza o meu desejo

desafio veloz e imponderável

a romper as fronteiras do presente

do amanhã inexistente, mas provável

uma noite a mais e já o veremos

e com que palavras, frases e textos

e com que (in)versos nos repetiremos.

 

Se e enquanto navego neste agora

me preparo — escrevendo — pra dançar

para além desde a sala de jantar

ela quer mil quereres, também quero

as palavras dançantes — meus sapatos

na rima dos passos ao som de um bolero.

 

 



Escrito por Luiz Paulo Santana às 14h50
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