Mês inteiro de agosto já termina
na folhinha parada à minha frente
gozarei em setembro se puder
se encontrar no caminho uma mulher
que queira desfazer-se de contente
desfazer-se de amor e arrebatar-se
ao solar das manhãs e impunemente.
No poema desliza o meu desejo
desafio veloz e imponderável
a romper as fronteiras do presente
do amanhã inexistente, mas provável
uma noite a mais e já o veremos
e com que palavras, frases e textos
e com que (in)versos nos repetiremos.
Se e enquanto navego neste agora
me preparo — escrevendo — pra dançar
para além desde a sala de jantar
ela quer mil quereres, também quero
as palavras dançantes — meus sapatos
na rima dos passos ao som de um bolero.